terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Carnaval continua

Hoje de manhã acordei e fui ao mercado com o Abdiel e a Celine. Comprei fruta e carne porque no dia anterior os mexicanos tinham feito uma carne muito boa, a melhor que já comi – lembrei-me do avô que fala sempre da carne do Panorama, devias provar esta! Como era de esperar, na minha ida ao mercado, bebi uma Canasta, aquela bebida que o "carniceiro" oferece sempre, que é muito similar ao vinho do Porto e, claro, acompanhada de chouriço, morcela e queijo. Uma festa às duas da tarde.
Quando regressámos não me apeteceu cozinhar, então comi o resto da salada russa que tinha feito no dia anterior e morangos.
Depois de almoço fiz as mudanças com a ajuda da Celina, porque hoje é dia 24 e dia 24 é o dia em que me mudo para o meu quarto definitivo. Custou-nos um bocado, estamos muito fora de forma! Subir dois andares várias vezes e muito carregadas, cansou-nos.
Depois de ela me ajudar regressou ao seu quarto e eu fiquei a arrumar o meu, o que levou a tarde toda não só porque tinha muitas coisas para arrumar, mas também porque estavam sempre a invadir o meu quarto! Queriam saber o que estava a fazer, queriam-me dar as boas-vindas ao segundo andar, queriam ficar a conversar, queriam tentar falar no messenger com os meus amigos em português (com a ajuda do google tradutor), queriam ficar por aqui, o que proporciona o facto de o quarto ser grande!
Depois de tudo isto, fui jantar com os mexicanos.
Comi as duas costoletas ibéricas (mas tem de ser da cabeça, decora avô) sozinha, que eram grandes, cada uma era metade de um prato.
Quando cheguei ao quarto ainda faltavam pequenas coisinhas para arrumar, com a vontade de ficar com o meu quarto pronto e bonito arrumei tudo em 10 minutos.
Enquanto esperava pelo Willem, que tinha combinado encontrar-se comigo para depois saírmos, apareceu o Christian. O Christian agora está cá em Cádiz de férias até sexta-feira. Esteve aqui em ERASMUS o ano passado, mas diz que não consegue deixar de cá vir. Está no seu último ano de medicina. É muito divertido e simpático!
Acabámos por sair todos juntos. Como eu e o Willem não gostámos do sítio para onde fomos, que é a Viña, uma rua onde todas as noites vai toda a gente sair e que fica praticamente impossível de se lá estar. Porque as pessoas não saiem para os bares, as pessoas ficam mesmo na rua, todas apertadas, sempre a serem esmagadas por quem quer passar. E não se faz mais nada além de conversar e beber.
Mas antes disso, enquanto nos dirigiamos para a Viña, fomos passando por várias animações que havia na rua por parte de alguns grupos da Falla. Eu vou meter um vídeo deles.
Então, fomos para um bar, o Nahu, muito interessante, com uma decoração oriental e, também, com influências do norte de África.
Por aí ficámos até às três e meia. Foi muito bom!
Como conhecíamos uma pessoa que conhecia o dono do bar e do karpa, ofereceram-nos passes para entrar no karpa durante toda a semana.
O karpa é um género de discoteca que se cria numa tenda gigante ao ar livre só na época de Carnaval. Aí foi muito, muito divertido, dançámos muito e tinha boa música.
Às seis da manhã fechou. Só restávamos eu o Willem e o Christian, sentámo-nos num muro porque estávamos cansados e eu não estava com coragem para ir para casa, que ficava a uns 20 minutos a pé.
Entretanto, a noite acabou menos bem. Vimos um rapaz a ser brutalmente atropelado. Foi um choque para nós. Corremos para lá e lá ficámos de mãos dadas enquanto o Christian, quase médico, nos explicava o que podia estar a acontecer. Ficámos sempre a um metro e meio do rapaz. O vidro do carro ficou todo rachado. No entanto, o rapaz conseguia mexer os pés, continuou sempre a falar até a ambulância chegar, estava bastante consciente de tudo. Foi levado pela a ambulância e regressámos a casa. Amanhã é um novo dia, e no que o acidente aparentava, acho que o rapaz teve muita sorte, podia não estar vivo.

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