quinta-feira, 26 de março de 2009
Casa e regresso à "Calle" - Iglesia San Francisco
Terça-feira, o ínicio do meu desespero por não fazer nada deu-me vontade de mudar toda a disposição do meu quarto, que vou mostrar num pequeno video que fiz.
Quarta-feira, saí pela primeira vez de casa, depois de uma semana, ainda com receio, mas tinha de ir às compras porque já não tinha comida nenhuma para o jantar. Fui com o Jo.
E achei algo curioso, aqui não vendem soja sem ser os rebentos de soja, nem existe bechamel de marca branca. Eu tenho saudades da minha lasanha, queria faze-la, mas não posso. Onde me disseram que podia haver é no Hipercor, que é o supermercado do El Corte Inglés. Vou tentar verificar num destes dia.
Quinta-feira, tinha combinado ir a casa da Beatriz almoçar, a senhora que me ajudou enquanto estive doente. Foi agradável. Ela cozinha bem, comemos gaspacho, que ela também me ensinou a fazer, figado de "ternera" (que ainda não descobri que carn
e é) com salada. Estava tudo muito bom. Depois ficámos o resto da tarde a conversar, a ver televisão... Conheci a sua nora e neto.
Ontem, sexta-feira, fez um dia de Sol muito bonito. Fui ao mercado de manhã, onde comprei muita fruta, legumes e peixe para assar - que foi o meu jantar.
Depois toda a tarde estive a passear pelas ruas, fui ver lojas à procura de um vestido, fui passear pelas ruas da parte nova da cidade, onde vi algo gigante no porto de Cádiz (foto), fui a uma livraria, onde vi um livro que quero comprar, só tenho receio porque está em espanhol, fui a uma escola de condução informar-me dos cursos e fui visitar a Igreja de San Francisco, muito bonit
a.
Quarta-feira, saí pela primeira vez de casa, depois de uma semana, ainda com receio, mas tinha de ir às compras porque já não tinha comida nenhuma para o jantar. Fui com o Jo.
Quinta-feira, tinha combinado ir a casa da Beatriz almoçar, a senhora que me ajudou enquanto estive doente. Foi agradável. Ela cozinha bem, comemos gaspacho, que ela também me ensinou a fazer, figado de "ternera" (que ainda não descobri que carn
Ontem, sexta-feira, fez um dia de Sol muito bonito. Fui ao mercado de manhã, onde comprei muita fruta, legumes e peixe para assar - que foi o meu jantar.
Depois toda a tarde estive a passear pelas ruas, fui ver lojas à procura de um vestido, fui passear pelas ruas da parte nova da cidade, onde vi algo gigante no porto de Cádiz (foto), fui a uma livraria, onde vi um livro que quero comprar, só tenho receio porque está em espanhol, fui a uma escola de condução informar-me dos cursos e fui visitar a Igreja de San Francisco, muito bonit
sábado, 21 de março de 2009
Saudades
Estive-me a lembrar de como tenho saudades do jardim de Cadima no Verão, quando lá nos sentamos e senti
mos uma paz. O Sol a bater entre as árvores, muitos passarinhos, o avô com o seu Jin Tónico a contar o que ainda lhe falta fazer no jardim e o que tem feito.
Saudades da casa do tio Luís, onde jantamos juntos aos fins-de-semana, que está sempre quentinha no inverno, com a avó sempre a criticar o que vai aparecendo nas notícias, o Dioguinho a gozar, a tia Sabine e o tio Luís a acharem piada, os meninos quietos ou já no quarto a jogar a sua playstation ou a Filipinha com as suas bonecas e o avô a analisar e a fazer os seus comentários calmamente.
Lembro-me, também, daquele dia em que ficámos todos a ver o Mamamia.
Tenho saudades do Caril de Frango da avó e das comidas bem improvisadas do tio Luís, do seu paté e daquele molho de maionese e mais alguma coisa para molhar os camarões.
Ah, sabem o que aprendi? Em Portugal, caril é aquela especiaria amarela. Na índia, caril quer dizer molho, pode ser qualquer um. Não tem de ser só o amarelo.
E n
o fim da refeição o tio Luís aparecer sempre com o Wisky para o avô.
E também tenho saudades da casa da Massita (a massita é a mãe do João). De estar lá no inverno à noite a conversar muito quentinha à lareira e de estar lá no Verão naquele banco de pedra que há na parte de fora a conversar. E saudades de todas as suas boas comidas, que diz sempre que "desta vez não ficou muito bom". E da Angelinha sempre com as suas curiosidades/novidades e o Passito sempre a tentar acalmar o "speed" da Angelinha.
Enfim, tenho saudades daquela rotina pela qual é dificil alguém se dar conta que é tão especial até deixar de a ter.
Saudades da casa do tio Luís, onde jantamos juntos aos fins-de-semana, que está sempre quentinha no inverno, com a avó sempre a criticar o que vai aparecendo nas notícias, o Dioguinho a gozar, a tia Sabine e o tio Luís a acharem piada, os meninos quietos ou já no quarto a jogar a sua playstation ou a Filipinha com as suas bonecas e o avô a analisar e a fazer os seus comentários calmamente.
Lembro-me, também, daquele dia em que ficámos todos a ver o Mamamia.
Tenho saudades do Caril de Frango da avó e das comidas bem improvisadas do tio Luís, do seu paté e daquele molho de maionese e mais alguma coisa para molhar os camarões.
Ah, sabem o que aprendi? Em Portugal, caril é aquela especiaria amarela. Na índia, caril quer dizer molho, pode ser qualquer um. Não tem de ser só o amarelo.
E n
E também tenho saudades da casa da Massita (a massita é a mãe do João). De estar lá no inverno à noite a conversar muito quentinha à lareira e de estar lá no Verão naquele banco de pedra que há na parte de fora a conversar. E saudades de todas as suas boas comidas, que diz sempre que "desta vez não ficou muito bom". E da Angelinha sempre com as suas curiosidades/novidades e o Passito sempre a tentar acalmar o "speed" da Angelinha.
Enfim, tenho saudades daquela rotina pela qual é dificil alguém se dar conta que é tão especial até deixar de a ter.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Descanso total
Quinta-feira pela manhã, a Beatriz ligou-me e deixou-me uma mensagem para saber como eu estava e eu respondi-lhe. Passei o dia todo na cama, senti-me melhor, à noite fiz o meu jantar, fiquei muito cansada e vim logo dormir.
Hoje, sentia-me bem quando acordei, arrumei o quarto devagar, ao meu ritmo, tomei o meu banho e comecei a piorar muito.
Às duas tinha muita fome e chamei o Abdiel, também veio o Jo e a Celine. Distribuiram tarefas entre eles. O Abdiel foi comprar legumes ao mercado para fazer comida para mim, o Jo foi arranjar um termómetro e a Celine foi tirar uma dúvida minha à farmácia.
Regressaram todos e ficaram todos na cozinha a fazer a sopa. Entretanto o Jo e o Abdiel tiveram de ir embora e a Celine ficou a tratar da sopa até estar pronta. Demorou duas horas e eu ainda não tinha comido nada. Às quatro horas a Celine trouxe-me a sopa e um copo de água e finalmente pude tomar o comprimido para baixar os meus 39 de febre.
A Celine teve de saír e fiquei sozinha. Cada vez a ficar pior, pois a febre não baixou... ouvi alguém da Sagasta a dar indicações de onde era o meu quarto. Pensei que era a avó que tinha chegado ou alguém da família. E, por surpresa, era a Beatriz, que também não imaginava encontrar-me como me encontrou. Trazia comida para mim e vinha saber como estava, acabou por saír apressada para chamar um médico. Não percebi como foi possível ela chegar no momento que mais precisava e que estava sem ninguém por perto. A Nuria ficou, também, sempre comigo, assim como ela a partir desse momento. Acho que não se tinham apercebido que eu estava tão mal até a Beatriz chegar. Falei com a médica, mas ela disse-me que eu estava bem medicada e que não me podia fazer mais nada. Disse que agora não podia ir a Portugal.
Depois disto, deram-me comida: sopa do almoço e bananas com morangos em sumo de laranja que a Nuria fez. A Beatriz depois ficou mais descansada, explicou-me que tinha que ir fazer alguma coisa, que não percebi, deu-me um abraço e combinou comigo agora vir todos os dias ver-me. Convidou-me para passar o fim-de-semana em sua casa, mas disse-lhe que não, não lhe quero dar ainda mais trabalho.
Depois de comer a Nuria deixou-me até às 23h para dormir um bocadinho, mas acabei por ficar a ver um filme e às 23h veio-me trazer a comida e todos os medicamentos.
Até amanhã!
Hoje, sentia-me bem quando acordei, arrumei o quarto devagar, ao meu ritmo, tomei o meu banho e comecei a piorar muito.
Às duas tinha muita fome e chamei o Abdiel, também veio o Jo e a Celine. Distribuiram tarefas entre eles. O Abdiel foi comprar legumes ao mercado para fazer comida para mim, o Jo foi arranjar um termómetro e a Celine foi tirar uma dúvida minha à farmácia.
Regressaram todos e ficaram todos na cozinha a fazer a sopa. Entretanto o Jo e o Abdiel tiveram de ir embora e a Celine ficou a tratar da sopa até estar pronta. Demorou duas horas e eu ainda não tinha comido nada. Às quatro horas a Celine trouxe-me a sopa e um copo de água e finalmente pude tomar o comprimido para baixar os meus 39 de febre.
A Celine teve de saír e fiquei sozinha. Cada vez a ficar pior, pois a febre não baixou... ouvi alguém da Sagasta a dar indicações de onde era o meu quarto. Pensei que era a avó que tinha chegado ou alguém da família. E, por surpresa, era a Beatriz, que também não imaginava encontrar-me como me encontrou. Trazia comida para mim e vinha saber como estava, acabou por saír apressada para chamar um médico. Não percebi como foi possível ela chegar no momento que mais precisava e que estava sem ninguém por perto. A Nuria ficou, também, sempre comigo, assim como ela a partir desse momento. Acho que não se tinham apercebido que eu estava tão mal até a Beatriz chegar. Falei com a médica, mas ela disse-me que eu estava bem medicada e que não me podia fazer mais nada. Disse que agora não podia ir a Portugal.
Depois disto, deram-me comida: sopa do almoço e bananas com morangos em sumo de laranja que a Nuria fez. A Beatriz depois ficou mais descansada, explicou-me que tinha que ir fazer alguma coisa, que não percebi, deu-me um abraço e combinou comigo agora vir todos os dias ver-me. Convidou-me para passar o fim-de-semana em sua casa, mas disse-lhe que não, não lhe quero dar ainda mais trabalho.
Depois de comer a Nuria deixou-me até às 23h para dormir um bocadinho, mas acabei por ficar a ver um filme e às 23h veio-me trazer a comida e todos os medicamentos.
Até amanhã!
quarta-feira, 18 de março de 2009
Hospital
Bem, nesta manhã sentia-me bastante melhor. Então chamei o Abdiel para ir comigo ao mercado. No entanto, na hora que passou até saír de casa, percebi já à porta que não podia ir para o mercado e que tinha que ir para o centro de saúde. Ora, não queria voltar ao mesmo centro de saúde da outra vez, pois a minha experiência foi ser atendida em dois minutos e, apenas, me medicarem uma prevenção a qualquer alergia que possa desenvolver.
Fomos, então, a outro centro de saúde aconselhado por um rapaz da farmácia. Este ficava perto da Playa de la Caleta e as pessoas da minha area de residência não podiam ir a este centro de saúde. Disseram-me para voltar para o outro. Claro que nesse momento expliquei logo que me era impossível caminhar para qualquer outro sítio que fosse devido ao estado avançado de asma com que estava. Portanto, resolveram atender-me com o médico de urgência. Falei com a médica bastante tempo, expliquei a minha situação, ela medicou-me e, ainda, me receitou uma máscara no centro de saúde para que pudesse voltar bem para casa.
Depois de levar a máscara, a enfermeira que me atendeu certamente foi almoçar e esqueceuse de mim na sala. Eu, que ainda não me sentia bem, comecei a desesperar. Isto, porque já estava sozinha. O Abdiel teve de ir para as aulas. Então lá vi um médico a passar em frente à a sala e comecei a chamar por ele. Mandaram-me novamente para o médico de urgência. Este viu-me e disse que o meu estado não era normal e que, por isso, tinha de ir para o hospital.
Chamaram-me um taxi e antes de entrar no taxi, veio uma senhora atrás de mim a dizer que eu não podia ir sozinha para o hospital e que vinha comigo. No início disse-lhe que não, ela insistiu muito e eu também não tinha outra melhor alternativa, como é que naquele estada ía cuidar de mim mesma?!
No táxi, mostrou-me a sua identificação e a identificação do seu trabalho para que não tivesse medo. Ela não se apercebeu que naquele momento o único medo que tinha era de estar sozinha, ela estar comigo, era muito bom.
Chegámos ao hospital ela tratou de toda a minha inscrição enquanto esperava que dissessem o meu nome. Entrei, viram a minha tensão: 9 - 13. Depois disso fiquei numa sala de espera, voltaram a chamar o meu nome e entrei na consulta 2, onde estava o meu médico. A senhora pôde-me acompanhar sempre em todos os sítios dentro das urgências, nunca fiquei sozinha.
Quando entrei na consulta senti o sabor da igualdade. O meu médico tinha uma grande deficiência nas mãos ao ponto de não poder pegar bem nas coisas e, mesmo assim, era o meu médico. Fiquei feliz por isso.
Tive de fazer análises ao sangue e à urina e fazer uma radiografia. Estava com 39 de febre. Puseram-me numa maca.
Enquanto estava a tirar sangue, comecei a desmaiar e a enfermeira começou a dizer que era minha imaginação. Estive algum tempo para lhe fazer entender que estava mesmo a deixar de ver tudo. Foi um momento complexo para mim, pois não sabia o que mais podia dizer para ela perceber que estava a dizer a verdade. Foi muito estranho, agora engraçado.
Fiquei duas horas à espera do resultado e, finalmente, chamaram "Ana Barbosa" que tão bem fica com o sotaque espanhol, senti-me aliviada.
O médico explicou que tinha uma pneumonia, que não podia saír de casa e que de quinze em quinze dias teria de fazer uma radiografia.
Regressei de autocarro com a senhora que enquanto esperava lhe perguntei o nome, pois antes ainda não me tinha lembrado de tal coisa importante. Então, a Beatriz, de cinquenta e poucos anos, que já teve cancro no útero, seios e que recentemente tinha sido operada para meter uma prótese na perna, mostrou-me a sua casa que ficava a caminha da minha, deu-me uma sopa instântanea para essa noite e trouxe-me a minha casa.
Achei fascinante como numa pessoa que não me é nada me pôde dar tanto carinho. Tratou-me como se fosse um filha toda a tarde e não como se fosse uma conhecida por quem ela estava a fazer uma boa acção.
terça-feira, 17 de março de 2009
Uma semana inteira
Finalmente escrevo, eu sei!
Desculpem, mas tenho andado doente e por isso não tenho tido a verdadeira vontade de escrever aqui no blogue, pois esta doença desenvolve muito o cansaço.
Eu fiquei no dia 6, sexta-feira.
No dia 7, sábado, tirei o dia para descansar.
Já no dia 8, qu
e não sabia bem que fazer, acabei por ter uma experiência engraçada. O Ivan quis fazer a receita de uns pastéis secretos que uma vez uma senhora já de idade inglesa lhe ensinou, os Pastés de Minero, assim se chamavam. Eu achei interessante, nunca tinha visto fazer-se algo tão "elaborado" em casa. Normalmente, compra-se já feito na padaria e, muitas vezes nem nos lembramos do trabalho que possa ter dado ao padeiro.
A verdade é que ficámos toda a tarde a faze-los, e como ele tinha prometido que não contava a receita a ninguém, a minha única solução foi ficar ao lado dele toda a tarde a ajudá-lo e a apontar tudo o que ele fazia. Assim, ele não teria de quebrar a sua promessa, totalmen
te!
Deram muito trabalho, ams no final ficaram, realmente, bons.
Neste dia, como era dia Internacional da Mulher, tive direito a uma surpresa na minha porta. Um malmequer.
Dias 9 e 10, tirei o dia para "pressionar" os meus coordenadores erasmus, mais o de espanha, para tratar de todas as burocracias que tinha a tratar. E, finalmente, acho que tenho um horário fixo.
No dia 10, saí à noite com a Maria, alemã cá de Sagasta para o Nahu, o bar do costume. Lá, apareceram o Willem e o Ville para me fazerem uma surpresa, depois de ter conhecido mais duas belgas, a Jennifer e a Charlotte. A Charlotte era muito envergonhada e quer sempre ir muito cedo para casa
, a Jennifer é muito simpática e divertida.
Dia 12, além das responsabilidades do costume com a universidade, à noite houve um jantar muito tranquilo em casa do Ville, a minha antiga "casa dos cinco dias", onde fiquei quando cheguei a Cádiz. Todos fizeram uma comida para todos e todos levaram uma garrafa de vinho, sangria ou licor. Já sei, já sei: e a água?! Pois não havia, havia fanta!
Foi um jantar agradável, sossegado, com música, bom ambiente.
Neste jantar conheci um espanhol que falava português, pois tinha um grande amigo que vive em Cascais e já tinha vivido um ano em Portugal. Além de também já ter vivido um ano na Suécia. Podemos imaginar as línguas que ele fala! Fiquei admirada!
Realmente, era uma pessoa interessante, culta e com ideias muito definidas. Para ele o príncipe devia ter-se apaixonado por uma portuguesa e não pela "jornalista". "Afinal há tantas portuguesas tão interessantes, ele podia escolher a que quisesse! Acabava com todos os problemas. Portugal não rejeitava tanto a monarquia, pois havia uma princesa portuguesa, pensava-se melhor no caso da unificação, criavam-se duas capitais, mais no interior, uma do antigo Portugal e outra do antigo Espanha - mais no litoral, porque ele não concorda que Lisboa seja capital, caso haja uma guerra é fácil conquistar o país porque a capital
está muito a litoral - e acabavam os problemas com as regiões espanholas que se querem tornar autónomas porque nos passávamos a chamar todos Ibérica e estas regiões não podiam regeitar fazerem parte da Península Ibérica." Enfim, foi interessante falar com ele.
Nesta noite, quando regressei a casa, foi quando me comecei a sentir mal. Como não sabia onde era o hospital nem queria acordar ninguém, fiquei a noite toda à espera até às 10h que era quando eu sabia que a farmácia estava aberta. A essa hora fui à farmácia pedir ajuda a um rapaz que lá estava e ele levou-me até ao centro de saúde que estava mesmo ao lado, mas era muito pouco visível, parecia fazer parte, ainda, da farmácia. No centro de saúde deram-me uma máscara de oxigénio e marcaram-me uma consulta para a tarde. Depois de ter levado a máscara percebi que não tinha feito grande efeito, mas não tinha percebido porquê. Resolvi esperar pela consulta da tarde.
Praticamente, não podia falar, andar e, muito menos, subir as escadas até ao meu quarto no 2ºandar por causa da asm
a.
Quando fui à consulta a médica foi bastante rápida e limitou-se a medicar-me com uns comprimidos contra a alergia. O que eu achei que foi muito eficiente, como se pode calcular.
No sábado, depois de acordar senti-me bem. Não podia fazer nada no ritmo normal, mas sentia-me bem. O dia estava muito bonito e fazia muito calor. Eu, o Jo, o Brieg, o Georges, o Arnaud e o Pierre resolvemos ir à praia. Estava espectacular, era Verão. Dei um mergulho no mar, tocámos guitarra a tarde toda na praia e cantámos. Foi muito giro! No final do dia, todos tiveram de se ir embora, então eu fui ter com o Ville e o Willem que estavam a dois minutos na praia de mim, com um outro grupo, para vermos o pôr-do-sol, que foi realmente bonito.
Quando cheguei à Sagasta o Georges e o Pierre convidaramme para ir comer tapas com eles e, depois disso, fomos a um bairro antigo de Cádiz que se chama "Populo", onde há cadeira e mesas ao ar livre e não é frio porque as ruas são muito estreitas e parecem ser no meu de grandes muralhas. É muito bonito.
Numa outra noite que já não me lembro qual foi, houve uma festa de despedida e de anos de duas raparigas na praia. Não foi muito giro, para mim, porque havia muita gente e não pude desenvolver conversa nenhuma com ninguém porque aparecia sempre mais alguém ou que já conhecia ou que me era apresentado. E, também, se houvesse uma música de fundo era bom. Numa parte da noite tocaram guitarra e muitas pessoas cantavam, mas não durou toda a noite.
Para o final da noite, eu e a Celine, que estávamos muito sóbrias soltámos gargalhadas a ver metade das pessoas que estavam na praia a rebolarem na areia como crianças... a deitarem-se ao chão e tudo mais, a br
incarem. Mais tarde, o Georges que estava bem "animado" foi dar um mergulho no mar e atrás foram o Arnaud, o Brieg e o Pierre a gritarem "Fraternité", foi muito engraçado. Tive muita vontade de fazer o mesmo, mas devido à minha história clínica tive de ser uma participante passiva toda a noite.
No domingo de manhã, dia 15, o Jo veio-me acordar para irmos ao mercado. Foi chato para mim, porque ainda estava com o corpo dorido e cansada.
Na segunda, não tinha aulas nenhumas, só fui à minha primeira aula de espanhol. Foi interessante! Acho que vou aprender muito. No entanto, na segunda hora não me estava a sentir muito bem.
Só me podia lembrar da boa médica que só me tinha dado comprimidos para a alergia!
Tive febre... fiquei toda a tarde na cama e o Jo vinha-me ver de meia em meia hora. Quando percebeu que eu comecei a adormecer começou a vir de uma em uma hora. À noite já me sentia bastante melhor, mas o Abdiel e o Brieg fizeram o jantar para mim.
Deitei-me cedo.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Tertúlia e frigorífico
Hoje de manhã eu e o Willem acordámos quando toda a gente em Sagasta acordou. Aqui é assim. Ouve-se a voz de alguém e sai toda a gente do quarto e ficamos a conversar. Quem não sai, mais tarde ou mais cedo, vai-se bater à porta do quarto dessa pessoa.
Acordámos, mas eu não me consegui levantar... vi um bocado de uma série e voltei a adormecer enquanto o Willem se metia a par das notícias do seu país com o meu computador.
Entetanto, acordei mesmo. Voltámos a ouvir reggae e, depois, Jack Johnson. Saímos de casa sem almoçar e fomos a casa do Vilie, que estava a tentar restaurar uma p
arte da sua prancha de surf que no dia anterior se tinha partido numa rocha. Depois disto eu e o Willem fomos comer umas tapas: almondegas, batatas "ali oli" e salada russa.
O Willem foi ver o seu novo apartamento e eu fui tratar das burocracias na universidade. Queria ir à "oficina de relaciones internacionales", mas estava fechada. Enquanto estava a ir, reparei num cartaz a anunciar uma tertúlia sobre o livro "El niño con el pijama de rayas". Fiquei logo interessada e tirei um dos cartazes para trazer para casa.
Também queria ir ao Centro de Línguas Modernas, mas também estava fechado. Não tinha conhecimento que na universidade tudo fechava à tarde. Acabei por não tratar de nada. Se bem que quando fui ao e-mail em casa tinha a resposta que ia buscar ao gabinete de relações internacionais. Ao menos uma coisa tratei.
Quando cheguei a casa estive um bocado na internet. Não estava com vontade de saír de casa, mas já tinha o cartaz da tertúlia na parede e às oito menos cinco decidi que ía mesmo.
Bem, o centro é uma organização internacional que se chama Nueva Acropolis cujo propósito ainda não tive tempo de pesquisar. Mas as pessoas que lá estavam eram bastante interessantes, de todos os estratos sociais, o que se tornou ainda mais interessante.
A tertúlia durou uma hora, sensívelmente. Eu quase não falei, estava com vergonha, pois não conhecia ninguém e o meu espanhol ainda não é assim tão bom ao ponto de poder partilhar as minhas convenções ou ideias num grupo de espanhóis intelectuais.
No entanto, entendi tudo do que se falou com o especial sotaque andaluz, que exige muita atenção. E foi, realmente, interessante.
No final da tertúlia as pessoas ficavam a falar um bocado na saída deste centro e foi, então, aí que um dos senhores que mais me despertou interesse me perguntou se eu estava no programa erasmus. A partir daí, desenvolveu-se uma grande conversa que me levou a conhecer outras pessoas do grupo que estava na tertúlia. Fiquei interessada. Se o propó
sito de toda esta Nueva Acropolis me interessar, parece-me que vou frequentar mais vezes. Na próxima sexta-feira há uma palestra sobre "Filosofía de la naturaleza en la antigua grecia y la ciencia moderna" que estou interessada em ir.
Depois deste encontro cultural, voltei à Sagasta, realizada e mais feliz, para jantar. Os mexicanos convidaram-me para comer "sincronizadas" uma comida mexicana muito fácil de fazer.
Depois de jantar o Ivan lembrou-se que viu um frigorífico na rua a dizer "Avisado Ayuntamiento. Funciona". Então, eu, o Ivan e o Abdiel fomos ver se ainda lá estava, e estava. Eles carregaram-no para casa e agora tenho um frigorífico no meu quarto, porque eles também já tinham um, por isso não se importaram que ficasse para mim. Achei inacreditável. Acho que em Portugal o tentavam logo vender em segunda mão, mas aqui meteram-no na rua com o aviso de que funcionava para quem o quisesse levar.
Depois de jantar e da aquisição de um frigorífico para mim, eu e o Abdiel saímos de casa para ir procurar trabalho. Tive uma resposta positiva onde amanhã vou deixar curriculum.
Com a procura pelos bares, acabei por ficar no habitual, o Nahu. Encontrei-me outra vez com o Jorge, o Arnaut e o Pierre. Com eles conheci duas raparigas, a Jennifer e a Charlote, belgas e muito simpáticas para variar nas características belgas.
Fiquei a conversar com elas, até que o Willem e o Vilie me fizeram uma surpresa e foram ter comigo ao Nahu. A noite ficou ainda mais divertida, claro.
Dançámos muito. O Vilie dança muito bem e por isso chamou a atenção de um grupo de pessoas que estavam ao nosso lado e começaram a bater palmas. Depois de um breve show de Vilie numa dança sueca misturada com um ritmo de samba, decobri que por tras das palavras espanholas estavam nativos brasileiros. Foi muito engraçado. Claro, comecei a falar português com eles e o Vilie ficou encantado, pois ele gostava de ir estudar para Portugal para fazer
muito surf. Daí, querer sempre aprender português.
Então, eram brasileiros que estavam cá a fazer uma desmonstração de capoeira e alguns viviam perto de Cádiz. Ficámos com eles o resto da noite. No entanto, não foi isso que me levou a falar muito português, pois descobri o quão difícil é agora para mim falar português. Estive um mês só a falar espanhol e agora há algumas palavras que me vêm à cabeça primeiro em espanhol ou então falo português com uma construção frásica espanhola, ou, naturalmente, respondía em espanhol sem me aperceber. Foi, realmente, uma descoberta complicada. Não quero deixar de falar bem português, mas também estou feliz por estar a melhorar muito o meu espanhol.
O bar fechou e não fomos a mais lado nenhum porque os surfistas queriam ir aproveitar o dia seguinte às oito da manhã, as belgas já se tinham ido embora, entretanto, cansadas e eu não conhecia os brasileiros o suficiente para ficar com eles.
Entetanto, acordei mesmo. Voltámos a ouvir reggae e, depois, Jack Johnson. Saímos de casa sem almoçar e fomos a casa do Vilie, que estava a tentar restaurar uma p
O Willem foi ver o seu novo apartamento e eu fui tratar das burocracias na universidade. Queria ir à "oficina de relaciones internacionales", mas estava fechada. Enquanto estava a ir, reparei num cartaz a anunciar uma tertúlia sobre o livro "El niño con el pijama de rayas". Fiquei logo interessada e tirei um dos cartazes para trazer para casa.
Também queria ir ao Centro de Línguas Modernas, mas também estava fechado. Não tinha conhecimento que na universidade tudo fechava à tarde. Acabei por não tratar de nada. Se bem que quando fui ao e-mail em casa tinha a resposta que ia buscar ao gabinete de relações internacionais. Ao menos uma coisa tratei.
Quando cheguei a casa estive um bocado na internet. Não estava com vontade de saír de casa, mas já tinha o cartaz da tertúlia na parede e às oito menos cinco decidi que ía mesmo.
Bem, o centro é uma organização internacional que se chama Nueva Acropolis cujo propósito ainda não tive tempo de pesquisar. Mas as pessoas que lá estavam eram bastante interessantes, de todos os estratos sociais, o que se tornou ainda mais interessante.
A tertúlia durou uma hora, sensívelmente. Eu quase não falei, estava com vergonha, pois não conhecia ninguém e o meu espanhol ainda não é assim tão bom ao ponto de poder partilhar as minhas convenções ou ideias num grupo de espanhóis intelectuais.
No entanto, entendi tudo do que se falou com o especial sotaque andaluz, que exige muita atenção. E foi, realmente, interessante.
No final da tertúlia as pessoas ficavam a falar um bocado na saída deste centro e foi, então, aí que um dos senhores que mais me despertou interesse me perguntou se eu estava no programa erasmus. A partir daí, desenvolveu-se uma grande conversa que me levou a conhecer outras pessoas do grupo que estava na tertúlia. Fiquei interessada. Se o propó
Depois deste encontro cultural, voltei à Sagasta, realizada e mais feliz, para jantar. Os mexicanos convidaram-me para comer "sincronizadas" uma comida mexicana muito fácil de fazer.
Depois de jantar o Ivan lembrou-se que viu um frigorífico na rua a dizer "Avisado Ayuntamiento. Funciona". Então, eu, o Ivan e o Abdiel fomos ver se ainda lá estava, e estava. Eles carregaram-no para casa e agora tenho um frigorífico no meu quarto, porque eles também já tinham um, por isso não se importaram que ficasse para mim. Achei inacreditável. Acho que em Portugal o tentavam logo vender em segunda mão, mas aqui meteram-no na rua com o aviso de que funcionava para quem o quisesse levar.
Depois de jantar e da aquisição de um frigorífico para mim, eu e o Abdiel saímos de casa para ir procurar trabalho. Tive uma resposta positiva onde amanhã vou deixar curriculum.
Com a procura pelos bares, acabei por ficar no habitual, o Nahu. Encontrei-me outra vez com o Jorge, o Arnaut e o Pierre. Com eles conheci duas raparigas, a Jennifer e a Charlote, belgas e muito simpáticas para variar nas características belgas.
Fiquei a conversar com elas, até que o Willem e o Vilie me fizeram uma surpresa e foram ter comigo ao Nahu. A noite ficou ainda mais divertida, claro.
Dançámos muito. O Vilie dança muito bem e por isso chamou a atenção de um grupo de pessoas que estavam ao nosso lado e começaram a bater palmas. Depois de um breve show de Vilie numa dança sueca misturada com um ritmo de samba, decobri que por tras das palavras espanholas estavam nativos brasileiros. Foi muito engraçado. Claro, comecei a falar português com eles e o Vilie ficou encantado, pois ele gostava de ir estudar para Portugal para fazer
Então, eram brasileiros que estavam cá a fazer uma desmonstração de capoeira e alguns viviam perto de Cádiz. Ficámos com eles o resto da noite. No entanto, não foi isso que me levou a falar muito português, pois descobri o quão difícil é agora para mim falar português. Estive um mês só a falar espanhol e agora há algumas palavras que me vêm à cabeça primeiro em espanhol ou então falo português com uma construção frásica espanhola, ou, naturalmente, respondía em espanhol sem me aperceber. Foi, realmente, uma descoberta complicada. Não quero deixar de falar bem português, mas também estou feliz por estar a melhorar muito o meu espanhol.
O bar fechou e não fomos a mais lado nenhum porque os surfistas queriam ir aproveitar o dia seguinte às oito da manhã, as belgas já se tinham ido embora, entretanto, cansadas e eu não conhecia os brasileiros o suficiente para ficar com eles.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Caños de Meca
Hoje quando acordei combinei com o Willem ir à praia e assim nos encontrámos, na praia Santa María. Ficámos lá a meter a conversa em dia até o Vilie nos dizer alguma coisa. Quando disse desafiou-nos para ir a uma praia muito bonita: Caños de Meca. Fiquei encantada!
A viagem foi um bocado atribulada, já não andava de carro durante tanto tempo há algum tempo, então enjoei. Esquecendo esta parte, o caminho era muito bonito, muita natureza, especialmente cactos, ao longo de quase toda a estrada. Quando chegámos
havia muita gente a fazer windsurf e kitesurf. Foi espectacular, ficámos imenso tempo a observá-los. Eles além de os observarem estavam, também, a estudar as ondas, para decidirem se iam fazer surf ou não.
Trinta minutos depois estavam a fazer surf e eu fiquei sentada naquela praia linda, a vê-los, aos de kitesurf, windsurf e surf. Foi muito relaxante. Até ao Sol se pôr ali fiquei. Depois do pôr do Sol arrefeceu um bocado e fui para um bar que havia ao lado da praia, que tinha um conceito muito interessante. Era uma "cabana" grande com mesas e bancos, como aqueles que se vê nos parques de cidade, de madeira, no meio uma fogueira e d
o lado direito uma mesa de bilhar. Ao Vilie fez-lhe lembrar um resort das estâncias de esqui. Até à hora de jantar ficámos a conversar nesse bar: "Las Dunas".
Depois de um bom bocado de conversa, regressámos a Cádiz. O Vilie queria descansar para saír noutra noite. Eu e o Willem queríamos saír, então, viemos jantar a minha casa e saímos.
Ah, entretanto, neste dia o Willem deixou a casa dele porque não gostou e ficou sem sítio para dormir. Tinha combinado às 22h ir ver uma casa, mas a essa hora ligou um rapaz que lá morava a dizer que afinal não podia ser nesse dia porque ela já estava a dormir. Espanhóis...
Saímos, divertimo-nos, dancámos muito. Claro que, no bar, Nahu, encontrámo-nos com o Jorge, Arnaut, e Pierre, aqueles amigos meus simpáticos, também belgas e francês.
No início não conseguíamos não olhar, mas depois não ligámos mais, já era "natural".
Viemos para casa, como tenho duas camas, o Willem ficou cá a dormir. Ah, mas, antes, ainda dançámos reggae porque eu estava cheia de vontade de ouvir reggae.
Foi um bom dia!
quarta-feira, 4 de março de 2009
Sete dias
Fomos calmamente, pelas ruas, a passear. Foi, portanto, que recebi um telefonema do João a dizer-me "Espanha é muito bonita".
Fui à praia, diverti-me, voltei para casa e vivi um sufoco porque ele nunca mais chegava. Às dez e meia da noite telefonou-me uma rapariga que vive no piso de baixo a dizer-me "Ana su novio llegó". Depois ele explicou-me que se tinha perdido no caminho e tinha feito mais cem quilómetros, além de ter demorado uma hora para encontrar estacionamento para o carro. Sim, este é um grande problema em Cádiz: estacionamento para carros.
Enfim, tive dias muito agradáveis, sempre com companhia para todo o lado. Andei-lhe a mostrar tudo e, principalmente, ele veio na época mais especial: o Carnaval.
É verdade, agora posso dizer o Carnaval durou até Domingo. Domingo de manhã, ainda passou uma banda à frente da sagasta que nos acordou. E quando saímos à rua, ainda havia gente mascarada. Na Calle Ancha havia um desfile de grupos em cima de tratores, parecia o desfile da queima em Coimbra, mas todos íam mascarados.
As ruas continuavam cheias de vendedores de tudo mais alguma coisa.
No início, os dois primeiros dias, ele teve azar porque fiquei doente, mas cuidámos bem de mim e fiquei boa rápido. Andou um virus pela Sagasta, toda a gente estava a ficar doente.Fizemos um pouco de tudo: fomos à praia ver o pôr-do-sol, fomos à parte nova com o Willem, empurrámos o carro do Willem que ficou sem bateria, passeámos pela parte
antiga da cidade, saímos à noite, ficámos em casa, vimos um concerto de Diego Cigala, ouvimos um grupo da Falla, fomos ao mercado, mascarámo-nos, de tudo um pouco...
Ficou a faltar a nossa ida a Granada, Tarifa e Marrocos. Para uma próxima.
Acho que ele ficou tão encantado como eu, já não queria voltar para Portugal. Sinceramente, acho que se vive com muita qualidade em
Espanha.
Um mês depois continuo a afirmar: Ainda não conheci ninguém stressado ou vi stress no que quer que fosse. Toda a gente vive calmamente e tudo se resolve calmamente.
A verdadeira expressão espanhola: "No pasa nada!"
Foram dias especiais! Foi uma óptima surpresa.
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