Bem, nesta manhã sentia-me bastante melhor. Então chamei o Abdiel para ir comigo ao mercado. No entanto, na hora que passou até saír de casa, percebi já à porta que não podia ir para o mercado e que tinha que ir para o centro de saúde. Ora, não queria voltar ao mesmo centro de saúde da outra vez, pois a minha experiência foi ser atendida em dois minutos e, apenas, me medicarem uma prevenção a qualquer alergia que possa desenvolver.
Fomos, então, a outro centro de saúde aconselhado por um rapaz da farmácia. Este ficava perto da Playa de la Caleta e as pessoas da minha area de residência não podiam ir a este centro de saúde. Disseram-me para voltar para o outro. Claro que nesse momento expliquei logo que me era impossível caminhar para qualquer outro sítio que fosse devido ao estado avançado de asma com que estava. Portanto, resolveram atender-me com o médico de urgência. Falei com a médica bastante tempo, expliquei a minha situação, ela medicou-me e, ainda, me receitou uma máscara no centro de saúde para que pudesse voltar bem para casa.
Depois de levar a máscara, a enfermeira que me atendeu certamente foi almoçar e esqueceuse de mim na sala. Eu, que ainda não me sentia bem, comecei a desesperar. Isto, porque já estava sozinha. O Abdiel teve de ir para as aulas. Então lá vi um médico a passar em frente à a sala e comecei a chamar por ele. Mandaram-me novamente para o médico de urgência. Este viu-me e disse que o meu estado não era normal e que, por isso, tinha de ir para o hospital.
Chamaram-me um taxi e antes de entrar no taxi, veio uma senhora atrás de mim a dizer que eu não podia ir sozinha para o hospital e que vinha comigo. No início disse-lhe que não, ela insistiu muito e eu também não tinha outra melhor alternativa, como é que naquele estada ía cuidar de mim mesma?!
No táxi, mostrou-me a sua identificação e a identificação do seu trabalho para que não tivesse medo. Ela não se apercebeu que naquele momento o único medo que tinha era de estar sozinha, ela estar comigo, era muito bom.
Chegámos ao hospital ela tratou de toda a minha inscrição enquanto esperava que dissessem o meu nome. Entrei, viram a minha tensão: 9 - 13. Depois disso fiquei numa sala de espera, voltaram a chamar o meu nome e entrei na consulta 2, onde estava o meu médico. A senhora pôde-me acompanhar sempre em todos os sítios dentro das urgências, nunca fiquei sozinha.
Quando entrei na consulta senti o sabor da igualdade. O meu médico tinha uma grande deficiência nas mãos ao ponto de não poder pegar bem nas coisas e, mesmo assim, era o meu médico. Fiquei feliz por isso.
Tive de fazer análises ao sangue e à urina e fazer uma radiografia. Estava com 39 de febre. Puseram-me numa maca.
Enquanto estava a tirar sangue, comecei a desmaiar e a enfermeira começou a dizer que era minha imaginação. Estive algum tempo para lhe fazer entender que estava mesmo a deixar de ver tudo. Foi um momento complexo para mim, pois não sabia o que mais podia dizer para ela perceber que estava a dizer a verdade. Foi muito estranho, agora engraçado.
Fiquei duas horas à espera do resultado e, finalmente, chamaram "Ana Barbosa" que tão bem fica com o sotaque espanhol, senti-me aliviada.
O médico explicou que tinha uma pneumonia, que não podia saír de casa e que de quinze em quinze dias teria de fazer uma radiografia.
Regressei de autocarro com a senhora que enquanto esperava lhe perguntei o nome, pois antes ainda não me tinha lembrado de tal coisa importante. Então, a Beatriz, de cinquenta e poucos anos, que já teve cancro no útero, seios e que recentemente tinha sido operada para meter uma prótese na perna, mostrou-me a sua casa que ficava a caminha da minha, deu-me uma sopa instântanea para essa noite e trouxe-me a minha casa.
Achei fascinante como numa pessoa que não me é nada me pôde dar tanto carinho. Tratou-me como se fosse um filha toda a tarde e não como se fosse uma conhecida por quem ela estava a fazer uma boa acção.
Sem comentários:
Enviar um comentário